11/04/2017

"Não é igual ao Spotify" I (Lollapalooza)

[ AVISO: ISSO É UM POST GIGANTE E SEM QUALQUER UTILIDADE PÚBLICA ]

"Ouvir uma música no Spotify não é a mesma coisa que ver um show". Curiosamente eu havia esquecido dessa anotação no meu caderno da faculdade. Mas a época de provas me lembrou. Nesta aula meu professor explicou sobre como a arte não possui mais "aura", como é chamada a marca do artista, uma assinatura, um símbolo de originalidade. Dada a estranheza de nós, alunos durante essa afirmação, ele explicou que os veículos pelos quais utilizamos as mídias que somos fãs são industrializados, são máquinas, logo o que ouvimos/vemos/consumimos e nos tornamos fãs é "sem aura".
Essa anotação foi feita no final de fevereiro.

Março foi o mês em que mais fui em shows de toda a minha vida. Mas não, este não será uma resenha sobre como foi o palco de determinado show ou como a maldita pulseirinha do Lollapalooza não funcionava para comprar caderninhos. Outros setecentos blogs já fizeram isso.  Essa é uma resenha interna. Está mais para um monólogo. Ou para o relato de uma grande idiota de dezenove anos que ainda sofre por ídolo.


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   Março não foi exatamente um mês fácil. Na verdade, nada tem sido. As vezes eu sinto que há um grande peso em mim que me deixa cinquenta anos mais velha. Então não foi nada difícil não estar animada um dia antes do meu primeiro Lollapalooza. E ainda fodidamente gripada. Então, na noite antes em que eu realmente estava pensando em não ir, eu olhei para mim mesma no espelho e disse que, independente de qualquer coisa, eu iria me divertir naquele dia. Eu iria dar espaço para boas memórias serem guardadas.

   Quando entrei no autódromo (já cansada pra p-rra), eu vi aquele espaço grande e só pensei "WOW". É um daqueles bizarros momentos que você se sente minúscula e, ao mesmo tempo, parte de algo muito maior.

   O primeiro show que eu vi foi o final do The Outs. Uma banda brasileira de rock alternativo que faz um som muito bom. Se vocês curtem Scalene ou Suricato, vale a pena dar uma checada. Mas o palco ainda estava vazio, o pessoal ainda estava chegando e as nuvens ainda previam uma tempestade grande demais para minha capa de chuva vagaba. Então eu olhei para trás e vi um Kamikaze, aqueles brinquedos que te viram de ponta cabeça. A fila estava pequena, era de graça, então pensei "Por que não?". Mas é claro, você chega na metade da fila e pensa "Eu tenho um fucking medo de altura". Se me permitem dizer, é muito triste ir a um festival de música sozinho. Mas é bom, pois pude passar na frente da fila toda simplesmente pelo fato de estar sozinha. Eu estava segurando na barra tremendo, mas depois que ele começou a subir, eu sabia que queria ir de novo. E fui.

   Depois foi a vez do Baiana System. Foi aquele show que assisti por acidente, na sorte. Mas que PUTA vibe. Imaginem uns caras que vieram de Salvador tocar música eletrônica/rap/reggae/rock. Apesar de não ser o tipo de música que eu ouviria no fone indo trabalhar, fiquei tão feliz por estar conhecendo algo novo tão bom e animado. E achei hilário que aquele era um show que reunia o povo com sua maria joana e o povo com camiseta do Korn.

   O sol já estava acenando com as duas mãos quando eu me sentei no palco que o Cage the Elephant ia tocar. Todo mundo falava que o show deles era muito bom. E eu esperava que fosse muito bom. Não sou fã de Cage, mas o último álbum deles é um dos meus preferidos da vida. Só uma coisa que zuou o show: alguns (entenda ALGUNS) fãs de Metallica. A banda ia tocar naquele palco mais tarde e os caras estavam sentados no meio do público. Isso atrapalhava pra caramba quem queria curtir os show de pé, medo de pisar/tropeçar/etc. E os que estavam de pé estavam com uma cara de desgosto. Uma coisa: você tem que entender que se um artista está tocando num festival com a proporção do Lolla é por que eles merecem, por que ele têm público, você gostando ou não. Sabe o fã chato? Não seja ele.

   Eu lembro que o Matt (vocalista do Cage) emanava energia. Mas não é aquela energia de boinha, depois de uma boa noite de sono. É aquela energia que te ocorre depois de cinco latas Red Bull, um litro de café e seis meses de sono. Era impressionante em como ele conseguia transformar todas as músicas que você ouve no fone em uma grande apresentação. Depois da primeira música, eu entrei para o seleto time que afirma " o show do Cage the Elephant é muito bom". Apenas gostaria de fazer parte do seleto time que encostou nele nas quinhentas vezes que ele pulou no palco. Tudo bem, fica pra próxima.


   Segundo o lineup de sábado, o show do The 1975 começaria exatos cinco minutos após o do Cage. E bem, até então nenhum show tinha atrasado. Eu prometi que não perderia nada para ver The 1975 por que eu iria ver um show solo deles na segunda. Mas eu simplesmente não consegui. Sai na última música do Cage, passei por toda a galera, andei até o show e quando vi a quantidade de gente no palco esperando, comecei a correr.

   É o que eu chamo de timing perfeito. Quando eu pisei onde o público estava, a introdução do álbum do The 1975 começou a tocar. Eu não sou o tipo que chora. Mas eu gritei como uma directioner de treze anos (com todo o respeito, Harry me beja). Eu tremia como se fosse morrer. Porra mano, sabe quando você ver uma banda que você acompanha a tanto tempo ali, entrando no palco na sua frente? Desse show pouca coisa consigo dizer sobre. É o que dizem, não da pra mensurar uma apresentação da sua banda preferida em um festival. É tudo muito corrido, muito programado, mas ainda assim conseguiu me deixar como uma idiota.

  Quando sai da multidão, já havia escurecido. Talvez essa seja minha melhor lembrança do dia. Eu andei um pouco para aproveitar as luzes em contraste com a noite, sentei na grama e apenas fiquei ali, sentindo o vento frio bater. Eu lembro que eu conversei com a Cah e disse que ainda estava em choque por ter visto meus ídolos. No meio de um áudio começaram a soltar fogos. Eu estava suada, cansada e com fome, mas queria embalar aquele conjunto de minutos e guardar na minha gaveta para quando eu me sentir meio ferrada.

   Depois, fiquei quase uma hora na fila para comer nachos e taco. Puta coisa gostosa. Mexican food is my new sushi. Eu pensei "vou levar esses lindos nachos para sentar na grama e comer como uma pessoa civilizada". Comi andando igual a um animal. Na metade do caminho para o palco eu já havia acabado minha comida. Só me restava chegar com dignidade ao palco do The XX, estender minha canga que eu uso de cachecol e curtir a vibe de barriga cheia. E foi isso que aconteceu.
No show todo eu quis chorar de tão lindo que aquilo estava. O jogo de luzes que dançavam com a fumaça do palco, a alegria da banda enquanto tocava, a voz da Romy e Oliver que se uniam tão bem... Eu tenho um grande carinho por The XX. Minha primeira apresentação de circo foi com a Intro deles . Quando eu escrevia de madrugada, a primeira música que eu ouvia era VCR. Eu só queria gritar ao mundo o quão aquilo era bonito.

E então, quando o show acabou, eu juro que nunca vi tanta gente junta  fora da 25 de março. Todo mundo para ver o Chainsmokers. Cheguei a tempo de ver Habbits da Tove Lo; nesse ponto eu nem conseguia gritar " You're go and I gotta stay highhhh". Esse foi o público mais incômodo do dia. Tinha muita gente, muita gente se empurrando, muita gente sendo...gente. Eu jurei que não conseguiria ficar mais em pé, mas foi só começar aquela energia de música eletrônica que eu já estava ali pulando que nem idiota de novo. Eu vou admitir que não sou nada fã da voz do carinha que canta na dupla, mas as músicas deles são realmente boas. Haviam efeitos, fogos de artifício, papel picado, aquela parafernalha toda que deixam os shows maravilhosos. Foi foda.



Não vou entrar no mérito de como foi ferrado ir para casa.

Mas consegui cumprir a promessa que fiz para a garota do espelho.

[...]

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